Uma rota de inspeção eficiente é diretamente proporcional a melhor utilização de recursos, inclusive financeiro, alcançando o ponto ótimo. Existem algumas maneiras que fazer uma boa rota e neste artigo será abordado uma delas.

Este é um assunto que faz parte do dia a dia dos setores de manutenção industrial, facilities e correlatas. O processo de elaboração e execução das rotas envolve muitas pessoas como, por exemplo, o setor de planejamento que deve levar em consideração a rota para determinar a viabilidade das tarefas, otimizar os materiais necessários para a execução do trabalho e o tempo necessário para finalizar a atividade. A área de programação entra com a parte de apropriar a mão de obra adequada e agenda a execução. A engenharia de manutenção se envolve para analisar os resultados obtidos das inspeções e estudar métodos de otimiza-la.

No entanto, algumas empresas não possuem toda essa estrutura e em alguns casos quando possuem não destinam a atenção necessária para o tema. Outra incoerência encontrada é quando se investe uma boa quantia de recursos para elaboração de um plano de inspeção robusto mas não se observa a qualidade da rota.

A ideia do problema que será apresentado surgiu em uma empresa que estava encontrando problemas sobre qual poderia ser a melhor forma de realizar uma atividade de inspeção em equipamentos de refrigeração. Suas instalações são compostas por dois blocos de edifícios, sendo que cada um deles tem um responsável distinto já que se tratar de seguimentos complemente diferentes. No entanto, a rota de inspeção existente para estes equipamentos é única ou seja a mesma equipe trabalha em ambos os blocos. Para a realização do trabalho é necessário executar algumas atividades em altura cujas tarefas exigem permissões de trabalhos diferentes e algumas outras particularidades internas.

Para exemplificar a situação, foi criado uma ilustração onde são demonstrados, através de uma visão aérea, os prédios em cinza e os equipamentos que precisam ser inspecionados em vermelho.

No intuito de encontrar a rota ideal, é necessário calcular o custo de deslocamento dos colaboradores em cada trecho. Neste caso, serão considerados os seguintes valores de forma fictícia:

Para resolver este problema, será usado o método de Grafos Eulerianos que pressupõe começar e terminar a rota no mesmo ponto e passar apenas uma vez em cada caminho. Esquematizando se tem a seguinte situação.

Observando o grafo se nota a existência de vértices de grau ímpar (B, C, D, E, F e G). Isso significa que  na realidade, não se trata de um grafo Euleriano. Utilizando um método conhecido como Carteiro Chinês, é possível resolver o problema. Para isso é necessário montar uma matriz colocando os menores valores que ligam cada vértice. No caso proposto a matriz fica da seguinte forma.

Por se tratar de uma matriz simétrica é apresentado apenas a parte necessária dos valores. O próximo passo é somar os pares em todas as combinações possíveis como visto baixo.

 

A solução apresentou um caminho com o menor custo. Para achar o valor total da rota de inspeção é somado os valores de todos os caminhos e o valor mais baixo encontrado na tabela. Para este caso a soma dos caminhos é R$900,00 e o menor valor da tabela é R$280,00, portanto o menor custo será de R$1180,00. Nota-se que em relação a pior rota há uma redução do custo de 16,9%.

Adotando os pares da primeira linha da tabela para a elaboração da rota final se obtém o seguinte grafo Euleriano.

Após obter o grafo, basta escolher um vértice aleatório e iniciar a rota considerando também, os novos caminhos em vermelho. No caso da empresa em questão, a oficina fica próximo ao vértice F, portanto, a rota escolhida será iniciada deste ponto. A rota final ficou da seguinte forma. FB – BC – CD – DE – EG – GD – DC CF – FBBA – AE – EGGF. O resultado encontrado ficou ainda mais interessante porque o trecho de maior valor (CD) é o que tem a maior tendência de ser evitado porém na solução ótima ele foi usado duas vezes.

A intenção deste texto é mostrar um método prático e que gera resultados. Para sua aplicação é necessário boa vontade, atenção e talvez uma calculadora. Para rotas de inspeções mais complexas (que são raras de acontecer), será necessário um programa de computador que execute o algoritmo. Como dito no inicio do artigo, também existem outros métodos que podem ser utilizados com o auxilio computacional mas que em grande parte dos casos de inspeção industrial não é um recurso essencial.

Drones para cumprimento das rotas de inspeções

Quando se adota o uso de drones para realizar as inspeções é necessário reavaliar as rotas existentes. O uso dessa ferramenta permite realizar estas atividades por diferentes acessos e com diferentes custos. A velocidade de deslocamento é superior a de métodos tradicionais mas alguns cuidados devem ser tomados como, por exemplo, é recomendável realizar a atividade na categoria de voo VLOS, ou seja, mantendo o drone sempre na linha visual do operador. O caso mais propicio e que deve ser levado em consideração na elaboração da rota de inspeção com drone é manter o equipamento distante no máximo 30 metros de edifícios e estruturas assim como não ultrapassar altura do item mais alto desta área podendo ser tanto natural quanto construído, por exemplo, árvores e para-raios. Desta forma não é necessária autorização de voo do DCEA.

O uso de drones por si só, já representa uma melhoria na eficiência, na produtividade e na segurança nas inspeções mas quando realizada com uma rota dimensionada para este tipo de tecnologia os resultados são ainda mais benéficos.