Trabalhos realizados em espaço confinado é um assunto que começou a ser discutido mais amplamente no Brasil, em meados do ano 2000. Sendo um pouco mais específico, o assunto teve um aumento da repercussão com as recomendações da NBR 14.787 em 2001. Embora sempre presente nas atividades industriais, o acesso ao espaço confinado carecia de regras claras tendo em vista que é um local não projetado para sustentar vida humana.

Atualmente contamos com a NR-33 que estabelece regras para execução do trabalho em espaço confinado. Esta norma estabelece uma série de exigências técnico-administrativas para melhorar o nível de segurança dessas atividades. Neste artigo será tratado alguns riscos que embasam os cuidados que são recomendados pela norma.

Os riscos de acesso ao espaço confinado

O espaço confinado se refere a qualquer lugar que, em virtude de sua natureza fechada, crie condições de risco ao trabalhador como tanque, reator, poço, câmaras ou qualquer outro espaço similar que possam possuir atmosferas inflamáveis ou explosivas, gases e vapores tóxicos, a presença de fluidos ou partículas sólidas que possam ter o volume aumentado, alteração do nível de oxigênio ideal para respiração e temperaturas agressivas. Todos esses riscos são apresentados mais detalhadamente a seguir.

A atmosfera tóxica pode ocorrer por diversos fatores, como vazamentos, fumaça causada por fogo, armazenamento de produtos, infiltrações ou devido ao próprio trabalhado que está sendo realizado pelo colaborador. Estes contaminantes podem causar vários efeitos como tontura, inconsciência e morte.

A alteração do nível de oxigênio pode se dar pela presença de outro gás, através da decomposição de elementos orgânicos, reações químicas, presença de fogo dentro outros. Quando ocorre o aumento do nível de oxigênio, o ambiente pode se tornar uma verdadeira bomba, pois um ambiente rico em oxigênio a ignição do fogo nos materiais ocorre muito mais fácil.

O outro fator que potencializa o risco de explosão é presença de atmosferas inflamáveis ou explosivas. Estas atmosferas apresentam risco de incêndio ou explosão devido à presença de líquidos ou gases inflamáveis ou até mesmo, de pó com capacidade de combustível suspenso no ar. Como área confinada pode não haver ventilação, a concentração destes gases pode se tornar muito elevada impossibilitando a ignição, porém ao abrir acesso ao local a concentração de gás pode chegar rapidamente na proporção ideal e a menor falta de cuidado com as fontes de ignição podem ocasionar uma explosão.

Quando há a presença de fluidos ou partículas sólidas no espaço confinado e não são observadas medidas de controle, pode resultar em afogamento, asfixia, queimaduras e outras lesões.

Outra característica que pode ocasionar graves acidentes é a temperatura nestes ambientes, que pode variar abruptamente, devido a falta de ventilação. A utilização de alguns EPI fundamentais, como mascara de ar mandado, roupas grossas, capacetes e etc, pode contribuir no aumento da sensação térmica e até mesmo causas desmaios se a temperatura do ambiente não for controlada.

Inspeção e manutenção em espaço confinado

Devido as caraterísticas deste tipo de ambiente, são necessárias diversas medidas de segurança para a realização dos trabalhos. Isso faz com que algumas atividades, principalmente relacionadas a manutenção e inspeção, sejam suprimidas ou realizadas de forma pouco eficiente. Por exemplo, a estratégia de manutenção nesses casos costuma ser de reparo ou troca de componentes de forma periódica independente do estado atual ou simplesmente a adoção da manutenção corretiva: quebrou, arrumou. De fato, não está errado a empresa que adotar tais soluções, porque evitam a exposição dos trabalhadores aos riscos o que compensam a questão operacional e financeira.

Algumas situações permitem que sejam instalados instrumentos de medição o que permite acompanhar externamente o que acontece no espaço confinado mas nem tudo pode ser monitorado desta forma.

Instalações industriais e equipamentos mais modernos evitam, desde o princípio do projeto, situações que possam ser consideradas como espaço confinado, como construções e equipamentos em poços. Desta forma se ganha em segurança e eficiência no trabalho.

O uso de drones para acesso ao espaço confinado

O uso de drones para inspeção em espaço confinado, pode ser a solução para melhorar a segurança e a eficiência nas operações. Com este equipamento, projetado especialmente para ser resistente as colisões, é possível acessar locais de difícil acesso de forma rápida e obter imagens precisas de soldas, oxidação, desgastes, limpeza e corrosão além a possibilitar a realização inspeção termográfica. Pode ser usando em condições de temperaturas relativamente altas (não extremas), áreas tóxicas ou ainda com pouco oxigênio. No entanto, o uso deste equipamento também requer a avaliação do ambiente que vai ser acessado, principalmente envolvendo a presença de agentes inflamáveis ou explosivos pois não se trata de equipamento intrinsecamente seguro.

Como visto, os trabalhos em espaço confinado envolve muitos riscos e deve ser muito bem avaliado. Com a adoção da norma NR-33, estas atividades passaram a ser melhores estruturadas aumentando a segurança nas operações. Devido tais exigências, as novas instalações e equipamentos tentam evitar condições de espaço confinado mas, em alguns casos, sempre existirá, como exemplos, tanques e reatores. A instrumentação e projetos de melhorias podem ajudar as atividades de manutenção e inspeção ter um controle maior destes espaços mas ainda haverá a necessidade de acesso. O uso de drones chega no mercado como uma solução interessante para essa demanda pois viabiliza acesso aos espaços confinados de forma rápida e segurança, permitindo avaliação precisa do profissional. No entanto, seu uso requer cuidados para que não venha a ser um problema ou um risco a segurança no trabalho.