Inspeção de solda utilizando ensaios não destrutivos é uma demanda de praticamente todas as indústrias em algum momento de sua existência. Algumas empresas utilizam o processo de soldagem para compor seu produto final no caso de máquinas, veículos e na confecção de peças metálicas. Existe também o caso que se necessita utilizar máquinas ou equipamentos que utilizam solda em sua confecção para produzir seu produto final sendo, por exemplo, tubulação, vasos de pressão, tanques, reatores, dentre outros que são muitos utilizados em indústria química, petroquímica, farmacêutica, mineradoras, montadoras e uma outra infinidade de seguimentos. Existem casos também onde se utiliza o processo de soldagem apenas para a montagem da área industrial como estruturas metálicas e porta paletes.

A importância do assunto é reforçada pela quantidade de normas nacionais e internacionais que, direta ou indiretamente, tratam do tema de soldagem e sua inspeção. Existe também diversos livros e manuais para o tema assim como certificações exigidas para o profissional da área.

Para efeitos práticos, o modo de inspeção escolhido de forma errada ou se mal aplicado, pode não identificar corretamente as possíveis falhas no do processo de soldagem e resultar em graves problemas ambientais, para a segurança de pessoas e instalações além de prejuízo econômico.

O objetivo deste artigo é demonstrar alguns cuidados na aplicação e na contratação de profissionais e empresas que realizarão estas atividades.

A Hegard possuí parceria com a empresa Bevel para trabalhos que necessitem inspeções de soldas com alto grau de confiabilidade. Através do conhecimento adquirido em campo e do know-how acumulado, foram listados alguns erros comuns ou pontos de atenção que não devem ser ignorados na aplicação dos métodos de ensaios não destrutivos mais aplicados pelas indústrias.

Líquido penetrante

Um dos métodos mais antigos para identificar defeitos superficiais é conhecido por utilizar líquido penetrante. Sua criação, mesmo que de forma simples, ocorreu no início do século XX. Com passar do tempo a técnica foi aprimorada e hoje sua aplicação, embora seja simples, necessita de alguns cuidados tais como:

  • Limpeza da peça
  • Iluminação
  • Produtos de boa qualidade
  • Profissionais certificados

Partícula magnética

O método também tem a função de identificar defeitos superficiais, porém utiliza o magnetismo para movimentar partículas, as acumulando nas descontinuidades. É um método rápido que pode ser aplicado somente em materiais ferromagnéticos. Os erros mais comuns encontrados para este método são:

  • Ensaio direcionado para materiais levemente magnéticos
  • Partícula magnética de má qualidade
  • Laudo inconclusivo
  • Profissionais não certificados

Ultrassom

Trata-se de um método mais sofisticado, que exigem profissionais bem preparados para identificar defeitos na parte interna dos materiais ou que possam ter sido inseridos durante o processo de soldagem. Existe a necessidade de equipamentos bem específicos o que pode elevar o custo deste método. Ainda é possível verificar espessura e oxidação na parte interna de tubulações, por exemplo. Dado estes fatos os pontos que devem ter a atenção redobrada são:

  • Executar o ensaio com o máximo de atenção
  • Utilizar aparelho devidamente calibrado
  • Confeccionar blocos padrão antes do ensaio
  • Trabalhar com profissionais certificados

Inspeção visual e dimensional

É um método que, embora possa parecer simples, necessita de cuidados para se obter os resultados esperado. Algumas dicas gerais podem ser encontradas no artigo “Inspeção visual: dicas e cuidados” porém ao tratarmos especificamente de solda, temos alguns cuidados extras principalmente com a questão dimensional, entre eles estão:

  • Conhecimento do processo de soldagem
  • Conhecimento em normas técnicas
  • Utilização de instrumentos calibrados
  • Inspetores certificados

O uso de drones para inspeção visual de soldas

Existem alguns locais onde possuem estruturas e componentes soldados em que o acesso se torna mais complexo do que a inspeção. Tubulações são um exemplo bastante prático desta tarefa, pois em alguns casos são construídas em locais altos como: pipe racks; e cruzam grandes distâncias. Embora a norma NR-13 defina a criticidade que a tubulação representa, a periodicidade máxima e as técnicas que devem ser utilizadas para a inspeção, a pessoa habilitada possuí a tarefa de otimizar o plano, melhor a segurança e reduzir o custo sempre que possível.

O uso de drones (RPA) pode contribuir para este fim trazendo uma imagem precisa de possíveis pontos de oxidação, problemas no revestimento; além de poder contar com câmera térmica ajudando na detecção de vazamentos.

O uso em ambiente offshore como plataformas de petróleo e navios, também podem se beneficiar pela segurança e rapidez trazida por esta ferramenta. O uso de RPA e câmeras certas, no entanto, são de fundamental importância para obter um resultado satisfatório de onde se consiga tirar os detalhes necessários para uma inspeção precisa.

Como visto, existem métodos de ensaios não destrutivos bastante conhecidos, mas que precisam de profissionais e empresas qualificadas para se possa obter resultados confiáveis e bastante satisfatórios. Para ajudar a garantir o bom resultado é sempre recomendado buscar por profissionais e empresas que possuam as certificações emitidas por instituições conceituadas ou até mesmo órgãos regulamentadores. A mesma dica se aplica para novas tecnologias e serviços como a utilização de drones na indústria, o equipamento caso não seja operado por profissionais e empresas confiáveis pode trazer o resultado completamente inverso ao esperado.