O trabalho em altura é uma das atividades nas quais profissionais das áreas de segurança do trabalho e empresas também engajadas neste tema, mais dedicam tempo em identificar, analisar e tomar ações para minimizar seus riscos.

A ampla discussão do tema pode ser explicado começando pela a norma regulamentadora NR-35 que define, no território brasileiro, o trabalho em altura como atividades desenvolvidas acima de 2 metros de altura e que haja o risco de queda. Neste ponto o leitor que se encontra tanto no trabalho quanto em casa, pode realizar uma pausa e observar ao seu redor quantos pontos próximos que, inevitavelmente, alguém precisará subir a mais de 2 metros de altura para executar alguma atividade como instalações, reparos, limpezas, pinturas dentre muitos outros possíveis motivos.

Aliando o grande volume de atividades com a falta de cuidado se tem outro motivo do porque o tema é tão popular, a grande quantidade de acidentes. Ano após ano o número de acidentes do trabalho em altura é responsável por uma generosa participação nas estatísticas de acidentes. Enquanto muitas empresas investem muitos recursos na conscientização e prevenção de acidentes outras infelizmente ainda nada fazem ou simplesmente praticam uma política de segurança somente no papel.

Trabalho seguro em altura é muito mais do que apenas usar EPI.

Na execução de algumas atividades o uso de EPI pode evitar acidentes como, por exemplo, o trabalhador que manuseia laminas ou qualquer outro material afiado. Neste tipo de trabalho o uso de luvas adequadas permite com que esses objetos sejam manuseados em um processo normal de produção, sem que resulte em cortes na mão do colaborador. Em muitas outras atividades o EPI apenas previne ou mitiga o resultado de um evento não esperado como um incidente ou acidente sendo este o caso dos trabalhos realizados em altura. Caso um telhadista que está efetuando uma inspeção no telhado venha a sofrer uma queda, nenhum EPI (que usualmente são: capacete, óculos de proteção, luvas, sapato de segurança e cinto de segurança) irá impedir que aconteça mas impedirá que ele sofra danos físicos mais graves. Como efeito secundário, um evento como este ainda pode gerar um resgate complicado que exigirá uma grande aplicação de recursos e tempo.

Mas como proceder então?

Baseado na NR35, ao se planejar uma atividade em altura deve se observar as considerações transcritas abaixo:

35.4.2 No planejamento do trabalho devem ser adotadas, de acordo com a seguinte hierarquia:

  1. a) medidas para evitar o trabalho em altura, sempre que existir meio alternativo de execução;
  2. b) medidas que eliminem o risco de queda dos trabalhadores, na impossibilidade de execução do trabalho de outra forma;
  3. c) medidas que minimizem as consequências da queda, quando o risco de queda não puder ser eliminado.

Reparem que o EPI se enquadra no item c ou seja, embora seja obrigatório seu uso, existem duas alternativas precedentes que fornecem mais segurança no trabalho.

O uso de drones e outras técnicas para trabalho em altura

Conforme o item a do trecho destacado da norma NR35, sempre que possível deve ser adotado métodos alternativos para evitar que pessoas realizem trabalhos em altura em prol da segurança. O uso de drones podem substituir algumas tarefas em altura, provendo uma significativa melhora na segurança do trabalho. Inspeções de telhados, para raios, torres e muitos outros lugares altos podem ser realizadas sem expor nenhum trabalhador ao risco e agilizar sua execução. O drone também pode ser utilizado como ferramenta de auxilio no planejamento da atividade em altura, identificando melhores acessos ao local, pontos exatos que precisam de reparos e ainda gerar um modelo 3D com escala precisa do local para criação de procedimentos e para uso em projetos de guarda corpo, linha de vida e dos pontos de ancoragem do cinto de segurança.

É possível citar também, outra interessante técnica de descer o que está em lugares altos. Um exemplo, é a instalação de dispositivos que desçam as luminárias até o solo para efetuar a troca de lâmpadas e demais reparos. Desta forma o colaborador também não se expõe ao risco envolvido do trabalho em altura.

Nos dois casos citados é importante realizar o isolamento da área da mesma forma em que seria realizado para um trabalho em altura convencional. Isso garantirá uma atividade sem qualquer imprevistos.

Para lugares que precisam ser acessados constantemente, a construção de uma estrutura de acesso intrinsecamente segura como, por exemplo, um mezanino pode ser levada em consideração. Esta solução é a mais cara e algumas vezes impraticável se não concebida em projeto inicial das instalações.

Como pode ser visto, o trabalho em altura sempre esteve e sempre estará presente em nosso dia a dia. É uma modalidade de trabalho que ainda é responsável por muitos acidentes mesmo tendo uma norma bem definida para o tema. O uso de EPI sempre deve ser incentivado e cobrado já que pode evitar lesões graves ou, até mesmo, salvar vidas. Porém não se pode esperar que o seu uso irá evitar algum acidente do trabalho em altura. O uso da tecnologia aliado com o engajamento de empresas conscientes que procuram métodos alternativos para estas atividades, conforme recomenda a norma NR35, sem dúvida é um grande passo para uma verdadeira melhoria na segurança do trabalho no Brasil.