A segurança no trabalho é um assunto complexo e existem diversas etapas para implantar um sistema eficaz de combate aos acidentes e chegar no tão desejado acidente zero de forma consistente e duradoura.

Toda empresa que ingressa neste desafio – e que se deixe claro, é o mais importante desafio que se pode haver – terá que desprender muita dedicação nos trabalhos em altura.

A base para esta afirmação são os estudos realizado pela Vigilância de Violências e Acidentes (Viva). Seus relatórios mostram que desde 2006 até 2014 (último período divulgado até a elaboração deste artigo), os acidentes envolvendo quedas beiram todos os anos a casa dos 40% do total de atendimentos em serviços sentinelas de urgência e emergência. E ainda no período de setembro a novembro de 2014 foram registrados 6164 acidentes envolvendo queda sendo que 1337 foram por causa de queda de escadas, degraus, árvores, telhados, lajes e andaimes. Pode-se citar ainda que do total de 6164 casos de acidentes por quedas, 758 acidentes foram em áreas industriais ou comerciais.

No artigo “Cuidado na aplicação do EPI e no planejamento de trabalho em altura conforme NR35” foram tratados alguns pontos de atenção no trabalho em altura principalmente relacionado a função do EPI neste tipo de atividade e algumas formas de evitar estes trabalhos.

No entanto, algumas tarefas em altura não podem ser evitadas e nestes casos, conforme descrito na norma NR-35, devem ser tomadas, prioritariamente, medidas que eliminem o risco de queda dos trabalhadores. Para isso um dos métodos mais usuais é a utilização de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC).

Um exemplo eficaz de EPC para eliminar o risco de quedas é a instalação de guarda corpo ou grades nos lugares onde há este risco, impossibilitando que o trabalhador venha a sofrer acidentes. Todavia, este tipo de proteção necessita de importantes cuidados no projeto, na instalação e na manutenção, pois existem normas que devem ser seguidas para realmente assegurar a segurança que é devida.

Nota-se que esses cuidados ainda não estão sendo tomados de forma geral, já que a falha de uma instalação ou de um dispositivo de proteção é uma das maiores causas dos acidentes de queda conforme artigo publicado no site Saúde e Trabalho Online.

Enquadra-se nessas falhas citadas itens como escada marinheiro, linha de vida, pontos de ancoragem do cinto de segurança, piso de plataformas além, é claro, do já citado guarda corpo.

Inspeção de segurança em dispositivos de proteção

Como dito no inicio do artigo, existem diversas etapas para implantação de uma sistemática de segurança no trabalho eficaz. Para exemplificar, imagine uma inspeção de telhado em uma empresa que não existe nenhum cuidado com a segurança e que, de acordo com os números apresentados anteriormente, é um dos lugares que mais ocorrem acidentes de queda. O trabalhador posiciona uma escada extensível sem checar o piso, ângulo de posicionamento da escada, amarração ou qualquer outro procedimento de segurança. Sobe no telhado sem qualquer EPI, anda nas beiradas do telhado a procura de problemas sem ter nada que impessa sua queda e com sorte conclui sua tarefa. É sabido que para muitos essa situação descrita gera uma serie de cala frios mas acreditem, ainda existem muitos casos como esse. Vamos supor que a empresa acima implantou uma série de melhorias como treinamentos, procedimentos, adoção de EPI, instalação de escada marinheiro para o acesso, guarda corpo nas laterais, linha de vida para ancoragem do cinto de segurança e com essas ações não teve mais acidentes em altura. Agora tudo está perfeito, certo? Não é bem assim…

Os dispositivos de proteção como a escada marinheiro, guarda corpo e linha de vida podem sofrer danos causados por corrosão, batidas, dentre outros motivos e precisam ser inspecionados periodicamente. Isto se faz necessário principalmente quando não são utilizados com frequência e é aqui que se encontra um risco ainda oculto para muitos. Quando é realizado uma inspeção o resultado pode ser a detecção de uma falha ou não, portanto como realizar uma inspeção de segurança, por exemplo, em um ponto de ancoragem do cinto de segurança sem utiliza-lo, já que aquele dispositivo pode estar danificado? E o como fazer esta mesma atividade para o topo de uma escada marinheiro?

Um método de realizar essas inspeções de segurança é utilizar drones para alcançar estes lugares e assim fazer a inspeção a distância. Com o registro em imagens é possível acompanhar a degradação destes dispositivos e com isso identificar o momentos ideal de intervenção. A adoção de imagem térmica nos drones permite uma inspeção ainda mais precisa e confiável.

Quando o local é acessado frequentemente pode simplesmente ser adotado um check list para ser utilizado sempre que o local for utilizado e com isso também é possível acompanhar a degradação destes dispositivos. Outra opção é, caso seja um projeto novo ou houver a condição de rever o projeto original, criar redundâncias de acessos e dos dispositivos. As três alternativas podem ser utilizadas em conjunto complementar o plano de segurança para trabalhos em altura e desta forma erradicar acidentes de queda em altura.

Como visto, a segurança do trabalho é de fato complexa. O trabalho em altura e os acidentes por queda são responsáveis por uma grande parcela dos acidentes tanto em casa quanto no trabalho. Alguns riscos podem permanecer ocultos durante muito tempo e vir a tona através de um acidente ou ser antecipado através uma política de segurança do trabalho robusta e da aplicação de novas tecnologias.